Nossa história, 2010

(Não vale a pena ler, palavra de escuteira, e não sou escuteira.)
Dia 4 de Novembro, por volta das quatro e meia recebo um telefonema, inesperado, mas atendo, atendo com esperança, atendo a sorrir. Era a Patrícia, minha mana. E pediu-me para ir ter com ela, pediu-me para ir fazer companhia a um amigo do seu namorado. E eu fui, algo em mim me fez ir, fui entusiasmada, com pressa de chegar e com esperança. Fiz tudo o que tinha a fazer e corri ao teu encontro. Fui na certeza que ia conhecer alguém novo, uma pessoa especial, mas sempre com outra no meu pensamento, queria esquecer-te mas também queria que fosses tu a pessoa que estivesse à minha espera. Chegando ao ponto de encontro (Big Ben) vejo um rapaz, não era quem eu queria mas não me deixou triste. Apenas com a certeza que tudo tinha acabado e que tinha de seguir a minha vida como ele já o tinha feito. Desfrutei do momento, ri-me, diverti-me de verdade. Lembro das nossas conversas, dos nossos gostos em comum e de tu seres atropelado exactamente naquele dia. Estavas manco, mal podias conduzir. Lembro-me de não acreditar em ti e ficar admirada pela tua descontracção em relação ao assunto. Fomos jogar setas, os quatro. Cada um por si. Eu estava com sorte de principiante, nem me estava a correr mal o jogo. E a ti estava, disseste que com cervejas jogavas melhor. E eu simplesmente fiquei encantada, falaste de tudo, conheci-te tão bem, logo no primeiro dia. Recordaste de eu te ir buscar as setas? Não querias que andasses, não queria que piorasses. A minha preocupação contigo já era grande. E também dava para gozar um bocadiiiinho comigo... A minha força para retirar as setas não era a melhor e esquecia-me sempre de pressionar o 'OK'. Depois de terminarmos as jogadas fomos-nos sentar outra vez, a conversa continuou, sempre animada e eu ia dizendo-te as mensagens que recebias, mas claro que me desculpava. Disse sempre 'não querendo ser cusca, nem nada, acabaste de receber uma mensagem' ou então 'já tens duas...'.
Ligavam-te, perguntavam-te onde estavas e que precisavam de boleia e que estava na hora de ires ter com o teu amigo. Foste embora, por volta das seis e pico. Quando foste o André recebe uma mensagem tua. Dizia algo sobre mi, que me curtiste conhecer, que era simpática(?) [já não me lembro bem...]. Eu fiquei toda maluca, com um sorriso de orelha a orelha, (quase) literalmente.
No dia a seguir ainda pensava em ti, ainda era tudo recente, ainda estava preocupada com o teu pé e com a tua perna. Ainda mancavas, ainda precisavas de alguém. Pedi à Patrícia que pedisse o teu número ao André depois de ela insistir comigo, eu estava com medo, só precisa de um empurrão e ela deu-mo. Só te tenho que agradecer. Pelo que soube o André perguntou-te se me podia dar o teu contacto e tu disseste que sim, claro, não havia mal nenhum. Então eu mandei logo mensagem, sempre a tremer, só perguntei se estavas melhor, se já conseguias andar. (isto tudo numa aula de matemática e tu ainda sem responder...).
Estava ansiosa e tu sem dizeres nada, espero, espero e desisto, quando desisti mandas uma, respondes-me ao que te perguntei, não eram mensagens longas as nossas. Eu voltei a responder e tu não disseste mais nada. E a minha esperança desapareceu de novo. Fiquei triste, desolada e traída por mim mesmo. Fui para casa, fui normal, fui fazer o que estava habituada a fazer, deprimir no sofá... Foi quando tu me voltaste a ligar, que ele ia voltar lá, já era tarde e eu ainda tinha que me preparar. Mas consegui tudo sempre, cheguei em meia hora, depois de dizer que não ia, que ele não queria saber de mim, etc, etc. Mas tu, Patrícia voltaste a insistir. Graças a Deus. Então fui. Eram uma cinco e pico quando cheguei e depois de estarmos sentados com eles mudamos de mesa, querias fumar e a minha mana fingiu um ataque de tosse para ficarmos sozinhos e tentar a minha sorte. Não houve nada, queria algo mais que uma curte, não estava preparada para sofrer novamente, tu eras tudo ou nada. Continuamos à conversa e decidimos ir jogar às setas novamente. Fomos todos, e a mim a sorte ainda não me deixara. E por fim, fui-me embora. Tu ofereceste-me boleia e não aceitei, não queria dar trabalho e também porque tinha medo. Depois de ter ido embora tinha vontade de te mandar uma mensagem, ainda bem que não o fiz, obrigada orgulho. E recebo uma tua, dizendo que podia ter esperado por ti, que já ias embora, que me podias ter dado boleia e mais umas pequenas coisas... Eu disse-te que não era preciso, que já estava perto do hospital, que era uma moça rápida... E assim continuou a conversa, sempre com grandes demoras da tua parte. Falávamos todos os dias, de manhã à noite. Foi sempre assim até ao dia ao dia 28, +/-.
(recuando no tempo) Ia sempre ter contigo, ansiava ver-te todos os dias, fosse a que horas fosse, bastava uma mensagem para sair de casa a correr. Estávamos muitas vezes juntos, quase todos os dias, até ao dia 19 de Novembro. As tuas semanas de estágio não ajudavam nada. Só me faziam sentir saudades. Vontade de te ter a meu lado.
A minha loucura do ano foi para ti, fui sem saber o porquê, mas fui ver-te à tua escola, caminhei tanto para lá chegar e o que recebo de ti? Nada, simplesmente ignoras o facto de eu estar lá! Caiu-me tudo, que vazio senti dentro de mim. Então decidi mudar, fui marcar cabeleireiro, fui arranjar-me para ir ao teu encontro, dia 18 ganho coragem para fazer o que já devia ter feito há muito tempo. Mas só o ganhei por culpa de quem está sempre lá apoiar-me, novamente por tua culpa dei mais um passo. Obrigada, a sério. Estava à espera dum estalo, dum não te aproximes de mim, vamos continuar a ser amigos e só isso. Não o fizeste, e ainda bem. Saímos juntos do café e pago a tua groselha, a groselha que me fizeste beber e a tua água. E nesse dia entro no teu carro pela primeira vez, quando ligas o carro a música que se ouve é " Nirvana - Smells Like Teen Spirit" e dizes-me que este álbum é do teu ano. Já dando pistas sobre a tua vida, mais uma.
Então de seguida levas-me até ao meu destino, fui contigo porque pensava que íamos ter o nosso momento a sós, mas não... Foste só até ao lugar que pretendia ir e tu seguiste para o ginásio, eu voltei para trás, fui ter com a Patrícia. Fui falar com ela para voltarmos ao nosso local... Sem grandes acontecimentos, ainda me lembro do teu andar, ainda estavas meio manco, ainda não era fácil andar para ti. E também me lembro de falarmos sobre a tua barba, sobre o facto de achares que tinhas uma doença qualquer... Mas sempre com um sorriso doce, calmo, que me derretia...
Passando para o dia seguinte... Dia 19, estou contigo novamente. Neste dia em especial, estive contigo de manhã, pois tinhas tido feriado e foste até ao café e eu fui lá pois a Patrícia foi ter com o André e eu não podia deixar passar esta oportunidade. Fui e senti-me mal, desejei não ter ido, cumprimentei-te com 2 beijinhos e ainda ouviste bocas por ter ido. Tu disseste que tinha agido bem, etc, etc... E eu regresso novamente à escola. E à tarde, sem estar à tua espera vens ter comigo, depois de uma conversa com o André... E eu ter dito não, que não ia ter contigo, que já era tarde, não estava pronta para um novo tombo. Vens ter comigo e ficamos na conversa e na troca de alguns mimos, poucos... Contigo a conversa nunca faltava. Foi a última vez que tive contigo neste mês. Que duas semanas me deste... e que quatro semanas de saudades também, só por causa da neve, do mau tempo e sei lá eu do que, desculpas, ginásio, estágio...
Finalmente estou contigo, nas minhas férias, decido sair e tu decides raptar-me... Ai que bem me soube... fizeste-me a melhor surpresa, deste-me tudo. Foste querido, atencioso, foste o meu rapaz perfeito! E apaixonei-me por ti, para o caso de haver duvidas para alguém... Estava a chover, eu lembro-me tão bem de cada minuto... (que sorriso de saudade o meu neste momento...). Esperei por ti, para estar contigo no dia seguinte... E estive, e senti que ia ser a última vez, pela tua conversa no fim e perguntei-te mas tu não disseste nada. Perguntei com medo, medo da resposta, e se fosse verdade? Ia estar a antecipar tudo? Depois de umas horas tão bem passadas contigo naquela tarde, mais parecia noite... Às cinco da tarde já era de noite...
Estávamos nós e o escuro. Não havia mais ninguém, só tu. E os teus abraços? Sabiam tão bem, como gostava de te sentir... E quando me despedi de ti foi como se fosse o último beijo. Voltei atrás para te beijar, para estar contigo, já com saudades te deixei...
Infelizmente não voltei a estar contigo, nunca mais estiveste comigo, acabaste as aulas sem te despedires de mim. E mais uma vez estava certo, estava acontecer o mesmo... Claro que preferi ser "burra" e tapar os olhos... Mais uma vez! Dia 28 recebo a tua última mensagem do ano 2010, recebi o teu último beijo, acabou ali o que ainda mal tinha começado, sabes o quanto me custou? Sabes as desculpas que inventei por ti? Foram tantas, eu entrei em desespero, colapso, fúria, frustração, angústia, stress, vontade de deixar tudo, de te ver e tantos outros sentimentos... E mesmo assim mando-te uma mensagem a desejar bom ano. Que testamento, recordaste? Eu sim. E essa era a última ponta da minha esperança e tu nada me disseste... Estragaste o dia? Não, só minutos dele, soube sorrir e ser quem eu era.

1 comentário:

Dii disse...

AINDA NEM LI ISTO, E JÁ DISSE: EU NÃO TE CONHEÇO, OH GOD, PASSASTE! :O