Por ti demais


O momento em que te encontrava, em que encontrava partes de ti, em que davas sinais, eram momentos de certezas, certeza de que ainda não te esquecera. Sabia isso pela maneira como ficava, parecia uma folha, presa numa árvore em que o vento por ela passava e fazia-a mexer-se, tremer sem parar. Ontem deste-me um sinal, hoje vi-te, deste sinal e eu não tremi, não como fazia antes, o meu coração não parecia querer saltar do peito, sorri, mas não com a alegria do passado, foi um simples sorriso, silencioso e rápido... E eu perguntou-me o porquê disto, ao qual tenho várias respostas mas nenhuma certeza, nenhum esclarecimento. Pode ser por aceitar o facto de teres seguido a vida sem mi, por um caminho paralelo, pode ser por já te ter esquecido, pode ser, pode ser... Pode ser tanta coisa... Com o tempo as coisas perdem o valor, certos gestos deixam de ser tão significantes. E se te visse, como ia reagir? Tenho tanto medo de continuar sem ti... Vem falar comigo, esclarecer este turbilhão de ideias, vem, por favor. (Porque não vens?) Se eu ao menos soubesse o que sentes... Percebi contigo o que era chorar sem fazer esforço, percebi a dor, o que era amar, percebi muita coisa. Se soubesses como me senti miserável, dias e dias a fio, semanas e mais semanas senti-me inútil, parva, culpada por tudo, se soubesse o que sei hoje... Podia ter feito coisas diferentes, talvez. Imagino o momento em que me falas, em que me dizes tudo, em que eu te digo tudo, em que tudo volta a ser como já fora antes, em que falas comigo como falavas primeiro (sonho com isso todos os dias...). Só não sei se ages como surdo, mudo porque não percebes mesmo ou porque não queres perceber.

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