Sabes o que me faltava? Ver-te... Precisava de um empurrão, de um sinal para te mandar uma última mensagem, algo que me fizesse a certeza do fim... Mesmo já eu tendo a certeza dele. Eu precisava de libertar toda a minha dor. Tenho de ouvir a voz que está dentro de mim a proteger-me da queda e que me diz para avançar, tenho de alcança-la... Tenho de chegar bem perto.Quando dei conta do que se estava a passar algo quente escorreu pela minha cara, não foram muitas, foram as suficientes para eu perceber que fazias falta, que fazes falta e que eu não te queria ver partir daquele jeito, literalmente. Por segundos, segundos que não te apanhei mesmo cara-a-cara, foi como se o destino me tivesse dito que foste embora, ver partir-te assim no carro com a impossibilidade de lhe tocar custou, queria ver a tua reação, queria causar um último impacto, uma última certeza que tinha feito tudo para te ter. Agora vou parar, quero que sintas a minha falta, é tudo o que peço, todos os dias... Ainda tenho todos os diálogos na minha cabeça, ainda te quero dizer tudo o que planeei quando desapareceste. Custam tanto a passar estes dias, a tua ausência quebra-me, a tua indiferença sufoca-me, deixa-me incapaz de dizer qualquer coisa quando por ti passo. E as minha noites não passam de te imaginar comigo, de te querer encontrar nos sonhos e que te poças tornar real. Tu estás longe e eu continuo achar-te tão perto de mim... Não estou interessada noutro caminho, este é o que me importa, tu importas-me. Vou deixar esta porta aberta, a porta que te pertence, por ela espero ver-te passar um dia.
Enquanto isso não acontece, por sorrisos, lágrimas, gritos, discussões, vontades e mágoas eu sobrevivo.

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