-Travas como?-Acelerando.
-Explica-me isso. Não entendo.
-É simples, exige apenas um movimento anterior de rotação.
-Explica.
-Vou numa determinada direcção, já atrasado para um encontro importante que vai resolver finalmente parte da minha existência. E, de repente, sem nada o prever, viro-me, rodo sobre os calcanhares e, já de costas para o meu destino, começo a correr, a correr muito. Acelero, enfim.
-É assim que travas?
-É assim que travo.
Gonçalo M. Tavares, crónica.

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